CARPE DIEM et INUTILIA TRUNCAT ou,
das coisas que certamente importam do acervo do Prof. Ms. J. Pietro B. Nardella Dellova...tutto qui è veramente bello!última fala do filmeLa Meglio Giuventù,di Marco Tullio Giordana !!
...Seguimos pela estrada que nos é indicada sem ao menos verificarmos se, verdadeiramente, é um caminho, pois não sabemos discernir estrada e caminho –este, a construção; aquela, a morte! Não nosdamos conta de que a vida não anda para trás, não se refaz e não se repete e, por isso mesmo, isto é,pela grosseria da própria ignorância, somos ridículos, perversos, fúteis, levados, coisificados,rancorosos, entorpecidos com discursos religiosos, políticos, econômicos e esotéricos, confusos,envelhecidos, enfermos e preparados à tumba, ao limbo e à escuridão!Aplaudimos os ventos da turba, o ópio das massas fabricadas, o bezerro de ouro medieval, osasnos neo-pentecostais, carismáticos e multifacetados, o silicone excitante, o plástico, o entulho, a águaoxigenada, a violência, a maledicência, o modelo, a forma, a superficialidade, a máscara, aapresentação, a representação, os papéis, os espelhos, a imitação, o pirata, a marca, o imediato, asunhas, a viagem no pó sulfuroso, os desvios na cana clorada, o tabaco de enxofre, a ração, ohambúrguer, a salsicha, os refrigerantes petroquímicos, os programas sensacionalistas, os que violam aprivacidade, as flores cortadas com fitinha-matinho-cartãozinho-íntima-declaração-de-amor decalendário, o adjetivo, o pronome de tratamento, o número, o índice, a quantificação, o resumo, ozoológico, o celibato, o poema, a Academia, o gozo imediato e o eu.E, por serem tantos os aplausos, a conivência e a comunhão de moscas, suínos e derivados,perdermos nossos sentidos, voamos abaixo dos urubus, tropeçamos no garfo, na faca, na taça –no pão eno vinho- no microfone, na fidelidade, na honra, na austeridade, na dignidade, na amizade, na ética, nasimplicidade, no conhecimento, no justo, no respeito, nas mãos, no jardim, na liberdade, no direito, nosprendemos no cartãozinho-de-papelaria-escolha-seu-dia, e nada entendemos do tempo-segundo, dosubstantivo, da organicidade, do indizível, do fato, da qualificação, e nada temos de profundidade e nãoalcançamos a alma do meio ambiente, do encontro de seres, da poesia, da produção livre e do beijo.Tropeçamos, finalmente, no nós!1CARPEDIEMet INUTILIA TRUNCAT,ou seja, Viva Intensamente e Afaste oque for inútil. (Horácio, 60 ac. Venosa, Itália)* dedico, especialmente, para reflexão dos membros da minha amadaSinagoga Sêh HaElohim, em São Paulo; para a memória dos que porforças inquisitoriais e fascistas foram mortos dentro da minha“saudosa” Sinagoga Beit HaMidrash “Scuola”, em Fondi, Itália, e paratodos os meus alunos dos Cursos de Direito, a fim de que o mundo sejatornado um lugar humanizado.
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Apoio:http://www.faj.br0800 775 55 55http://www.policamp.edu.br0800 772 62 62É preciso romper com esta tão densa linha da imbecilidade ecoante de cada século, ano, mês edia! É preciso um abrupto corte, um abrupto não, um abrupto levantar-se, um abrupto grito, um abruptodespertamento, um abrupto lançar o relógio-contra-a-parede, um abrupto moer-bezerro-de-ouro, umabrupto desmascaramento dos multifacetados portadores de alívio, prosperidade e libertação teatral etelevisiva, um abrupto rasgo-quebra de máscaras, e tomarmos uma bateia nas nossas mãos e sairmosao garimpo da intensidade, da vida, do humano perdido na enxurrada medíocre cotidiana!E descobrir que para além de uma tela, de um controle, de um mouse, de um livro, de umacrendice, existe vida intensa e abundante. É preciso descobrir que para além do poema existe a poesia,e, para além e aquém do urro-ejaculação existe entrelaçamento, beijo, intensidade, afeto, pupilasdilatadas, comunhão. Quanto mais fundo o mergulho, mais intensa a vida, mais chances de encontrar-sea pérola e o sentido da vida!Para isso é necessária a experiência da comunicação humana dos sentidos integrais. Abrindo osolhos para enxergar-concentrando: ver, perceber, distinguir, a pessoa que se ergue diante de, que vemao encontro, que acontece e que harmoniza, percebida, ouvindo-destacando, escutando os sonsinconfundíveis da sua presença que está ali, exatamente ali, para ser, também, cheirada, com perfumeindizivelmente singular, que traz em cada poro um sabor inigualável de corpo amado, com o qual seenche as mãos com os cabelos, redesenhando com os dedos as pálpebras, a face, os lábios, as orelhas,as mãos, o umbigo, os seios e tudo, soprando a brisa do encanto e da leveza do roçar os lábios,libertando de quando em quando uma palavra ininteligível e abrindo os braços para o envolvimentoúnico e intenso.E é necessária a descoberta da mesa, do estar em torno, do assentar-se olhando nos olhos (e nãonos pratos) sem pressa nem saliva, cada qual em sua definida cadeira. E, juntos, descobrir o quesignifica Abençoar o Eterno diante do pão, do mel e do vinho. E novamente aí é preciso aprender o queé tomar o pão, fixar nele os olhos e sentir-lhe o sabor e o cheiro, dividindo-o com as mãos. E aprenderos sentidos plenos do vinho e a paciente força do mel!Mas, ainda, é preciso descobrir as trilhas nos bosques, desvendar aos filhos o mistério silenciosoda lagarta-crisálida-borboleta, sabendo que os filhos não ouvirão o discurso, mas seguirão o exemplo.E ter olhos bons para não amaldiçoar a terra, o mar e os céus, nem a chuva, nem a seca, nem o calor,nem o frio, nem os vapores, nem as matas, nem os insetos, porque com os olhos bons em tudo haveráentendimento e sentido, de tudo se ouvirá a voz de D'us, creando, e sentenciando: é bom! E do homemse ouvirá a mesma voz, dizendo: é muito bom! Assim, em tudo haverá natureza propícia para a nossaexistência, pois tudo isto é a nossa casa (e não há outra!)Um dia despertaremos da preguiça de sentir e pensar e construiremos uma mesa e cadeiras comnossas mãos e entalharemos o nome de cada um no seu lado, não mais cortaremos flores no campo paraoferecer, seja para vivos, seja para mortos: apenas plantaremos flores e arbustos no descanso desses eofereceremos campos vivos, naturais e completos àqueles.Um dia descobriremos que o melhor que se pode fazer é viver a vida que nos foi dada peloEterno, com simplicidade, Instrução e Graça.São Paulo, Brasil, 23 de marzo, 2005 – 12 de Adar II, 5765 (antevéspera de Purim)
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Apoio:http://www.faj.br0800 775 55 55http://www.policamp.edu.br0800 772 62 62© Prof. J. Pietro B. Nardella Dellova. Mestre em Direito pela USP (A Crise Sacrificial doDireito). Mestre em Ciências da Religião pela PUCSP (A Palavra como Construção doSagrado). Pós-graduado em Direito Civil (Os Novos Contratos). Pós-graduado emLiteratura Brasileira (A Palavra Multifacetada). Formado em Filosofia. Bacharel em Direito.Membro da União Brasileira dos Escritores. Poeta com os livros AMO, NO PEITO e ADSUMpublicados. Desde 1986 ensina Torá na Comunidade Sêh HaElohim. Ex-membro dacomissão de Bioética e Biodireito da OABSP. Professor de Filosofia do Direito e DireitoCivil em várias Universidades em São Paulo e Interior. Coordenador dos Cursos de Direitoda Faculdade Jaguariúna e Faculdade Policamp.
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