Esfinge era seu nome. Mulher gélida e solidificada de dor. Caminhava mecanicamente pelas ruas da cidade ao entardecer. O seu coração, petrificado e endurecido prostrava-se na pupila cadavérica dos seus olhos vazios. «Nada», a única palavra com significado emocional numa exposição em carne viva de uma natureza morta. Esfinge. Mulher bela e distante. Distante sobretudo de si própria.
Uma noite, no maior desespero vazio alguma vez imaginado, decidiu permanecer totalmente imóvel. E acreditar que se havia tornado num pilar de sal, tal como a mulher de Lot. E apesar do diagnóstico de esquizofrenia catatónica ter sido emitido, a triste verdade é que o que Esfinge acreditava ser não estava muito longe da realidade.
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